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 Portugal
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Posted - 28 January 2008 : 06:18:45
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O Monte de Sto. Onofre assim como a "cerca" como por nós é conhecida, sempre para mim, e julgo que para todos, foram emblemáticas, desde a histórias que ouvíamos até ás visitas que fazíamos em crianças, a informação sobre estes locais não abunda e são mais as lendas e histórias que a realidade... Ao navegar pela net, descobri este relato que considero muito interessante!!!
As ossadas do Convento de Santa Cristina da Póvoa
Por:Correia Góis
Na ala nascente do monte de Santo Onofre (monte com 108 metros de altitude, o mais alto de Montemor-o-Velho, onde existem restos da ermida de Santo Onofre), no lugar de Póvoa de Santa Cristina, lugar da freguesia de Tentúgal, situa-se o local onde jazem inertes, infuncionais, abandonadas e mal cuidadas ossadas, autênticos tesouros do Convento de Santa Cristina da Ordem de S. Francisco.
No passado recente, muitos têm sido os doutos e ilustres estudiosos a referirem a fundação e existência do Convento de Santa Cristina, mas avançando a não existência de vestígios. Estas teses, porém, revelam insuficiente preparação na investigação nos arquivos e no terreno.
Assumo por inteiro o afirmado: a leitura de documentos existentes nos arquivos da Torre do Tombo e da Universidade de Coimbra, cotejada com a visita ao sítio, são a prova provada da existência do convento e dos seus vestígios.
Eucaliptal
Trata-se de uma visita arriscada, por obrigar a penetrar numa zona não identificada, entre altos e densos silvados, pinhais, répteis e raposas a emergir de todos os lados, a falta de sinalização e trilhos. O declive do terreno é também algo complicado.
O nosso apontamento emerge acerca de 60 anos (anualmente, os povos da região - em Quinta-feira de Ascensão - visitavam o monte de Santo Onofre e a cerca do convento), na leitura e interpretação da documentação existente nos arquivos da Torre do Tombo e da Universidade de Coimbra, e em mais uma visita recente, onde observámos algumas alterações: nos terrenos de pastos da cerca foi plantado um eucliptal, as pedras dos altares estão espalhadas entre os eucaliptos e da cisterna somente se observa uma pequena abertura; os muros da cerca estão em ruínas e cobertos de silvas.
É nossa opinião advinda do observado tratar-se de mais um terramoto que se abateu sobre o património construído de Montemor-o-Velho e de Portugal. Aos responsáveis devem ser pedidas responsabilidades; a tolerância apenas pode ser admitida com a culpabilização da ignorância.
Fundação e vida
O Convento de Santa Cristina começou por ser num Oratório entre os anos de 1437-1480, na vigência do vigário provincial Frei Mendes de Oliveira e acção de Frei João de Lamego ou Frei João da Póvoa, confessor do rei D. Manuel I e protegido do infante D. Pedro, duque de Coimbra e senhor de Montemor.
D. Pedro, além de benfeitor com a concessão de terras e hortas do Infantado, elevou-o à categoria de convento e enquanto viveu foi visita assídua dos frades de Santa Cristina, a par dos condes de Cantanhede.
O primitivo oratório detinha uma humilde ermida, oficinas interiores e dormitórios. Esta estrutura humilde e modesta funcionou até ao ano de 1550, altura em que foi arrasada por forte incêndio. A vida conventual, pobre de natureza, ainda ficou mais pobre e quase comprometia o processo de evangelização.
As comunidades da vizinhança, porém, cientes da presença positiva dos franciscanos na região, mobilizaram-se no sentido de erigir um novo convento. Em 1699, sob a direcção do guardião Frei Júlio de Santo António, ergue-se uma nova igreja (agora aberta à comunidade para assistir aos ofícios divinos e lá encontrar última morada), oficinas, dispensas, cozinhas, refeitórios e dormitórios.
A obra fica concluída em 1700 e a vida conventual continuará até à extinção decretada em 1834, momento em que seus proventos são arrolados e vendidos em prol da Fazenda Nacional.
Extinção
A extinção das Ordens Religiosas é decretada em 1834. O Convento de Santa Cristina não foi excepção e daí a obrigatoriedade de inventariação, arrolação, delapidação e venda dos bens móveis e de raiz, alfaias, direitos e acções, rendas, dívidas, títulos e tudo o que pertence ao dito convento- um rol extenso, passível de tratar oportunamente.
De momento, e na senda de melhor identificar o Convento, transcrevemos a descrição do edifício, tal como observou, grafou e assinou - em 9 de Julho de 1834 - a comissão liquidatária constituída pelo juiz de fora Dr. António Gomes Nobre, escrivão de Tentúgal Francisco Soares de Brito, guardião do convento Frei Leonardo de Santa Rita de Cássia e os louvados Manuel Gonçalves e Francisco Rodrigues Prata, de Tentúgal.
Esta equipa descreveu o edifício do convento nos seguintes termos:
Compõe-se o convento de 23 sellas entre estas a maior parte arruinadas, uma salla rigular, arruinada chamada ante coro, uma caza chamada a barbaria; uma varanda chamada mirante; uma caza dos necessarios; uma caza da Adega; caza do refeitorio rigular, uma caza chamada a caza dos perfumes; uma caza de cozinha piquena; uma caza ordinaria que serve pera [depósito de] lenha; uma caza terrea arruinada que entesta no clautro; um claustro regular. Uma igreja contígua ao mesmo convento regular em estado ordinario que se compõe de três altares, capella do Sacramento com seu altar, cappella de S. Benedito, caza do coro e sanchristia piquena com sua torre.
Refira-se que todo este conjunto foi avaliado segundo o seo estado, meramente em coatro centos de reis - 400$000.
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